sábado, 4 de maio de 2013

A janela do vizinho.


A janela já estava aberta, e assim eu a deixei. Arrastei os pés até ela, me debrucei. Mesmo doendo, minhas pernas e meu coração caminhavam até a direção da luz fraca e fria da manhã. Não, não vou escrever você. É muito clichê. Derrubei café na minha camisola branca ao vê-lo. Do outro lado, na minha frente. Acabara de abrir a janela procurando algo, procurando a dor. Ou seria amor? Se eles andam juntos, de mão dadas, talvez ele os encontrariam juntos. Não, ele não estaria interessado.
Meus olhos estavam fixos em seus passos, colocou a camiseta, sem notar minha presença, ou meu olhar atento. Seu olhar, fixo em uma porta fechada. Senti o vento em meu rosto. O resto do café esfriara. Como me manteria acordada? Mas nem mesmo o café quente queimando em minhas pernas me desviou o foco. Café? Aquela dor não parava, me consumia. Com total esforço para me manter em pé, senti novamente o vento em meu rosto, mas dessa vez não era vendo, era brisa. Suave. Ajustei meu óculos, e pude ver os azulejos portugueses na fachada da casa da frente. A janela havia sido fechada, e a porta estava aberta. Corri para o quarto, eu podia correr! Pus meu melhor vestido, peguei todas as cartas que eu escrevi para que você soubesse como eu estava. Pulei a janela, era hora de voltar para casa.

Um comentário:

Anna - Eu Crio Moda disse...

O amor mais lindo é o platônico
http://ladydarkangel13.blogspot.com.br/